Quando olhamos no retrovisor

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Vou me aventurar em escrever algo.  Minha percepção vem me mostrando um caminho novo a ser trilhado. A possibilidade de fazermos algo diferente.

Ao atender um cliente, ouvimos os seus limites, vitimizações e até a onde ele quer ficar no conflito. Tentamos fazer algumas perguntas fora da caixinha e elas nos trazem respostas significativas.

Convidamos o cliente a olhar no retrovisor para a nossa ancestralidade, através da técnica da constelação familiar.  Então enxergamos  não apenas um, mas dois retrovisores. Um representa o sistema familiar do papai e outro da mamãe. Claro, dois retrovisores, pois somos 50% papai e 50% mamãe .

 

Vemos então, repetições de padrões familiares dos que vieram primeiro em nossa vida, mesmo que não os tenhamos conhecido. Somos leais ao sistema familiar. Queremos pertencer e por amor ao nosso sistema familiar, ficamos imitando, repetindo situações familiares. Usamos falas sistêmicas, num movimento de trazer  para  consciência os emaranhamentos do passado, que que os mesmos podem ser deixados  no passados.

Bert Hellinger nos ensina: “Onde começa a cura?
Em primeiro lugar na alma, através da cura das dores da separação do passado.
Retornamos às pessoas das quais nos sentimos separados de forma dolorosa.
Dessa forma, retornamos também à esperança.” (Bert Hellinger).

 

Após realização de vários diálogos com o cliente, sempre lembrando a mãe e o pai de que o filho é da vida, e que ele veio ao mundo  na proporção de 50%, de cada um, e quando da realização da audiência, o advogado, pode perceber numa sutileza, o que  o sistema familiar daquela família precisa para haver o pertencimento.

E soltamos.

O sistema familiar, o campo se reorganiza.

“Algumas filhos pensam que têm que amar um dos seus pais, que eles chamam de bom, e que devem desprezar o outro, a quem eles chamam de mal. Ou seja, eles dividem seus corações entre o bem e o mal e se tornam juízes. O paradoxo é que, geralmente, procuram pessoas semelhantes ao pai rejeitado ou se assemelham a si mesmas. A paz e a felicidade nas famílias vem quando todos podem ter um bom lugar e quando todos podem ter seu lugar legítimo, isto é, os pais são pais, filhos, filhos, casal, casal. O único remédio é a inclusão e a abertura do coração, de modo que o passado já pode permanecer como passado.”
JOAN GARRIGA do livro Onde estão as moedas? O vínculo alcançado entre crianças e pais.

 

Depois de algum tempo, em poucos meses percebemos que pai e mãe estão juntos para levar este filho para a vida, sem que ele precise escolher, quem é seu pai, ou com quem ele quer ficar, e isso nos traz uma leveza na atuação profissional e a certeza que podemos fazer diferente.

Uma advocacia a serviço da vida.

Gratidão ao Juiz Dr Sami Storch, que  nos permitiu conhecer o direito sistêmico, e desenvolver uma advocacia mais humanizada.

Janice Grave Pestana Barbosa
Advogada e facilitadora sistêmica, Formação Básica para Constelador Familiar Hellinger, realizado no Brasil pela Hellinger Schule em parceria com o grupo CUDEC do México e Faculdade Innovare de SP, Pós – Graduanda em Direito Sistêmico – HellingerSchule – Faculdade Innovare – SP; Presidente da Comissão de Direito Sistêmico da 12ª Subseção da OAB/SP Ribeirão Preto, Formação em Gestão de Escritórios de Advocacia Sistêmicos, Formação em Capacitação de Gestores Sociais e Membro da ComViver Solidário,

 

 

 

 

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